25 MAR 2025
Novos documentos desclassificados pelo Arquivo Nacional dos Estados Unidos trouxeram à tona informações inéditas sobre o monitoramento que o governo norte-americano fazia do cenário político brasileiro nos anos 1960. Entre os nomes citados está o do ex-governador Leonel Brizola, uma figura central na política nacional da época, conhecido por seu discurso nacionalista e sua oposição à influência dos EUA na América Latina.
Os arquivos revelam que Brizola foi classificado pela CIA como “violentamente antiamericano” e apontado como uma possível ameaça aos interesses dos Estados Unidos na região. Durante a Campanha da Legalidade, em 1961, quando mobilizou tropas e rádios para garantir a posse de João Goulart após a renúncia de Jânio Quadros, os serviços de inteligência dos EUA suspeitavam que Brizola estivesse recebendo apoio de Cuba e da China. No entanto, segundo os documentos, ele teria recusado esse auxílio por temer que fosse usado como justificativa para uma intervenção estrangeira no Brasil.
O monitoramento sobre Brizola se intensificou após o golpe militar de 1964, quando ele foi exilado e passou a articular sua resistência fora do país. A CIA também registrou preocupações com a influência cubana no Brasil, mencionando que a ilha caribenha buscava fortalecer movimentos políticos alinhados ao socialismo.
Essas revelações reforçam o papel do Brasil no tabuleiro da Guerra Fria e a vigilância exercida pelos Estados Unidos sobre líderes políticos que desafiavam sua hegemonia na América Latina. O nome de Brizola, ligado a um dos momentos mais conturbados da política brasileira, aparece agora em um contexto ainda mais amplo, que envolve uma das maiores conspirações da história dos EUA: o assassinato de John F. Kennedy.
Autor(a): BZN