02 ABR 2025
Nova pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (2), revelou uma queda significativa na popularidade do governo Lula da Silva (PT), com a desaprovação aumentando de 49% para 56% entre janeiro e março de 2025, enquanto a aprovação recuou de 47% para 41%.
Para Felipe Nunes, diretor da Quaest, os esforços de comunicação do governo, com o anúncio de novas medidas, ainda não surtiram efeito positivo junto à população.
A queda na aprovação é observada de forma simétrica em todas as regiões do país. No Nordeste, tradicional reduto eleitoral do petista, a vantagem que antes era de 35 pontos percentuais despencou para apenas 6 pontos entre dezembro de 2024 e março de 2025. No Sudeste, a desaprovação supera a aprovação em 23 pontos percentuais, enquanto no Sul essa diferença chega a 30 pontos.
O levantamento aponta também mudanças marcantes na percepção de gênero. Pela primeira vez, a desaprovação entre as mulheres atingiu 53%, superando a aprovação, que se mantém em 43%. Entre os homens, a desaprovação chegou a 59%, reduzindo a histórica diferença de gênero que foi decisiva para a vitória de Lula em 2022.
A análise segmentada por renda familiar também mostra variações expressivas. Para famílias com renda superior a cinco salários, a aprovação está em 34%, enquanto para aquelas com renda entre 2 e 5 salários é de 36%. No entanto, entre famílias com até 2 salários, a aprovação atingiu 52%, revertendo uma vantagem de 43 pontos percentuais registrada em julho de 2024 para apenas 7 pontos atualmente.
Na divisão por tipo de eleitor, os índices são igualmente preocupantes para o governo: 92% de desaprovação entre eleitores de Bolsonaro, 62% entre os que não votaram ou optaram por branco/nulo e, surpreendentemente, 26% entre os próprios eleitores de Lula – o que representa cerca de um quarto do seu eleitorado insatisfeito com a gestão.
Parte do descontentamento, conforme Felipe Nunes, pode ser atribuído à quebra de confiança do eleitorado. O presidente não tem conseguido cumprir as promessas de campanha, e cada vez menos pessoas o veem como bem-intencionado. Além disso, o aumento na exposição por meio de entrevistas e eventos tem, na visão de metade dos entrevistados, piorado a percepção sobre sua imagem.
A piora na avaliação do governo também reflete a percepção negativa da economia. No último mês, o percentual de brasileiros que afirmam que a economia piorou no último ano saltou de 39% para 56%, impulsionado pelo alto preço dos alimentos e pela sensação de que os combustíveis estão mais caros, impactando o poder de compra.
No campo dos programas governamentais, embora 67% dos brasileiros reconheçam que algum programa, como o Bolsa Família, tem impacto positivo em suas vidas, a maioria enxerga esses programas como direitos permanentes, desvalorizando a eficácia das políticas do governo e resultando na chamada extinção da gratidão automática.
Para reverter esse cenário, Felipe Nunes ressalta que Lula precisará mudar a percepção majoritária de que o Brasil está indo na direção errada e promover um governo diferente dos últimos dois anos. Entre as medidas recentes, destaca-se a extinção da taxação de alimentos importados, que, embora ainda pouco conhecida, divide opiniões – 37% dos que desaprovam o governo acreditam que a medida ajudará a reduzir os preços dos alimentos. A outra aposta é a reforma da renda, que gera expectativa em 23% dos brasileiros, beneficiando integral ou parcialmente cerca de 46 milhões de pessoas. Além disso, quase 60% dos entrevistados apoiam a tributação adicional de 10% sobre altos dividendos.
A pesquisa foi feita col 2.004 pessoas entre os dias 27 e 31 de março, com nível de confiabilidade de 95% e margem de erro de 2 pontos percentuais.
Autor(a): BZN
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