Política

VEJA teve acesso a áudios exclusivos de Mauro Cid em que ele detona investigação e Alexandre de Moraes

21 MAR 2024

A revista Veja traz reportagem de capa, assinada por Robson Bonin , Laryssa Borges e Marcela Mattos, sob o título “Em áudios exclusivos, Mauro Cid ataca Alexandre de Moraes e a PF”.


Diz: “Enquanto suas informações ajudam a desnudar a tentativa de golpe militar e comprometem Bolsonaro, o tenente-coronel detona o ministro e a instituição”.


A matéria detalha sobre acesso que teve à gravação de uma das conversas de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, em que diz que “suas declarações foram distorcidas, certas informações tiradas de contexto e outras convenientemente omitidas pela Polícia Federal”.


A revista lembra que o militar “já prestou seis depoimentos à Polícia Federal depois de assinar um acordo de colaboração premiada. Em troca de benefícios, comprometeu-se a dizer a verdade. As revelações feitas pelo tenente-coronel, que compartilhou da intimidade do ex-presidente durante os quatro anos de governo, foram fundamentais para a elucidação da trama golpista urdida pelo seu antigo chefe, um grupo de assessores e militares de alta patente”.


Continua:


- Graças às informações prestadas por Cid, sabe-se hoje que a democracia esteve ameaçada após as eleições de 2022. Sabem-se os detalhes dos planos mirabolantes que foram traçados para não permitir que Lula subisse a rampa do Palácio do Planalto. Sabe-se que entre as sandices articuladas estava a detenção de adversários políticos e juízes. As informações de Mauro Cid deixaram Bolsonaro numa situação jurídica extremamente delicada, a ponto de seus próprios apoiadores não descartarem a possibilidade de uma prisão iminente. Deve-se ao tenente-coronel, portanto, muito do que se descobriu e muito do que ainda pode emergir da tentativa de golpe.


Nos bastidores, no entanto, quando os policiais saem e ele volta para seu círculo mais íntimo, existe um outro Mauro Cid. Depois de relatar que o ex-presidente discutiu planos golpistas com os comandantes militares no Palácio da Alvorada e que um deles chegou a colocar as tropas à disposição para executar a missão, Mauro Cid tem dito a pessoas próximas que suas declarações foram distorcidas, certas informações tiradas de contexto e outras convenientemente omitidas pela Polícia Federal. 


VEJA teve acesso à gravação de uma dessas conversas (ouca abaixo). Nela, o ex-aiudante de ordens dispara petardos contra os agentes e contra a investigação. Cid diz, por exemplo, que a polícia o pressionou a relatar fatos que simplesmente não aconteceram e detalhar eventos sobre os quais não tinha conhecimento. O tenente-coronel afirmou que policiais o induziram a corroborar declarações de testemunhas e apontou um delegado que o teria constrangido a reproduzir informações específicas, sob pena de perder os benefícios do acordo. "Eles (os policiais) queriam que eu falasse coisa que eu não sei, que não aconteceu", contou. "Você pode falar o que quiser.


Eles não aceitavam e discutiam. E discutiam que a minha versão não era a verdadeira, que não podia ter sido assim, que eu estava mentindo".

completou.


A gravação foi realizada na semana passada, depois que Mauro Cid prestou depoimento à PF, na segunda-feira 11.

Na condição de colaborador e obrigado a falar a verdade, ele foi ouvido por nove horas seguidas. Depois, em uma conversa com um amigo, desabafou por quase uma hora. "Eles estão com a narrativa pronta. Eles não queriam saber a verdade, eles queriam só que eu confirmasse a narrativa deles.


Entendeu? É isso que eles queriam. E todas as vezes eles falavam: 'Ó, mas a sua colaboração. Ó, a sua colaboração está muito boa'. Ele (o delegado) até falou: 'Vacina, por exemplo, você vai ser indiciado por nove negócios de vacina, nove tentativas de falsificação de vacina.

Vai ser indiciado por associação criminosa e mais um termo lá'. Ele falou assim: 'Só essa brincadeira são trinta anos dara você." Cid disse que os assim: 'Só essa brincadeira são trinta anos para você." Cid disse que os delegados encarregados do caso só registravam as informações que se encaixavam naquilo que ele chama de "narrativa". "Eu vou dizer o que eu

senti: já estão com a narrativa pronta deles, é só fechar, e eles querem o máximo possível de gente para confirmar a narrativa deles. É isso que eles querem", ressaltou.

Autor(a): BZN



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