Política

Quando se fala em anarquia, fala-se em quê? Segue minha dissertação de mestrado em Filosofia Política

24 MAI 2020

Foto: Revolta de Haymarket - Ilustração de Thure de Thulstrup (1886)

Durante dois anos de dois meses morei em Lisboa, para cursar mestrado em Filosofia Política, na prestisioga Universidade Nova de Lisboa (UNL), das mais conceituadas de Portugal.

Possibilidade de qualificação profissional incentivada pela instituição onde honrosamente trabalho há 28 anos: Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Durante as aulas, em que apresentei trabalho em cada disciplina, optei por fazer minha dissertação sobre um movimento que muito me chamou atenção, diante do que observei viver há mais de 150 anos sob uma nuvem obscura de inverdades, a começar pela deturpação implícita em dicionários.

Foram tempos difíceis, diante da dificuldade que tive de obter obras que tratem dessa filosofia política que rejeita qualquer tipo de dominação, principalmente em três esferas: Estado, Governo, Igreja.

Não descansei. Como não é um tema discorrido em seus pormenores desde as aulas de ensino básico, assim como são democracia e comunismo, por exemplo, também há ausência de obras físicas em livrarias, bibliotecas, sebos. Talvez por isso muito é disponibilizados pela internet. E foi desse mundo infinito que me joguei dias, noite e madrugadas em minuciosa pesquisa.

Diante do vácuo imenso sobre o anarquismo, ousei retratar em narrativa histórica, para contar em detalhes de como surgiu, desenvolveu-se e persiste. Afastei-me mais da fundamentação filosófica, que trataria mais do ser, etc. Optei por deixar essa colaboração para futuras pesquisas. Fui aprovada com boa nota, por unanimidade.

A quem interessar, deixo aqui o link para o repositório da UNL onde está publicada a dissertação.

Desde já divulgo o resumo:

Problematizar o movimento anarquista a partir da autodenominação feita pelo francês Pierre-Joseph Proudhon de se considerar anarquista; as tentativas de conquistas para uma sociedade libertária, as lutas, a propaganda pelo feito, a utopia. Em meio a esse contexto, saber o que é anarquia como significado de ordem e sobre a deformação rotulada no movimento anárquico. Os crimes cometidos, inclusive assassinatos de presidentes e reis. Quais os reflexos atuais das lutas dessa teoria política. Estes são os aspectos principais analisados neste trabalho. O movimento teve auges, mas efêmeros. Mesmo assim, as investidas do pensamento libertário influenciaram o mundo, desde então aos dias de hoje. Senão, vejamos: alguns países, principalmente os de regime democrático, vivem sob ideários sonhados e buscados nas intensas lutas do fim do séc. XIX e início do séc. XX, como conquista trabalhista – a jornada de oito horas -, a união sem casamento ou contrato, como há mais de um século propalaram os libertários. Salas de aula mistas, com estudantes dos sexos feminino e masculino, tais quais eram em escolas fomentadas por anarquistas. Nos tempos atuais, o advento da internet e o surgimento das redes sociais criaram um mundo paralelo – o virtual – em estado relativo de anarquia, onde as pessoas se sentem libertas para emitir, formar e desconstruir opiniões, dogmas ou princípios. Lugar de mobilizações. Mas, as redes sociais têm proprietários, que impõem normas e seguem implementando mudanças.

Autor(a): Eliana Lima



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